Estudo do Pátio

Estudo do pátio na habitação unifamiliar: quatro casas de Álvaro Siza Vieira [Dissertação de Mestrado]

Imagem: pátio de uma casa romana

O pátio surge na maioria dos edifícios como centro, origem. Um espaço organizador, que ordena, relacionando de forma inteligente as diferentes partes da habitação. Aglutina ou separa; desenha a forma; age como controlador climático da luz e do vento; surge como jardim florido ou sala ao ar livre, plataforma polivalente que se estende da casa ou para a casa. Espaço de transição horizontal ou abertura infinita na vertical, como zona de receção, de trabalho ou como lugar de meditação. O pátio nunca é um espaço vulgar. Nas malhas urbanas antigas com grande densidade construtiva, em alguns casos definidas pela estrutura hipodâmica, em cidades de origem romana, em cidades de herança muçulmana, como ainda podemos ver no sul de Portugal, a tipologia de casa com pátio é utilizada por ser seguramente viável do ponto de vista do ordenamento territorial.  A grande densidade populacional sujeita as ruas a serem estreitas, o estreitamento das ruas conduz à diminuição da área das habitações e consequentemente a uma iluminação e ventilação menos funcionais, levando as casas a abrirem-se ocasionalmente para o exterior em forma de pátio.  Este espaço vem equilibrar as estruturas criando uma zona protegida, aberta à luz e ao ar, possibilitando o acesso a várias divisões. As curiosas implicações culturais do pátio são tão importantes quanto a funcionalidade que lhe corresponde.

Texto | fonte: Dissertação de Mestrado de Delgado, Adriana Isabel Rodrigues Lima . Clique no link e saiba mais a respeito.

Imagem: Planta da casa romana. O peristilo, no fundo, foi um acréscimo posterior ao contato com os gregos.